quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SESC Butantã e o seu barracão


Bom, alguns de vocês já estão familiarizados com o projeto do SESC Butantã apresentado aqui neste blog em algumas postagens passadas. Fico feliz em poder dizer que esta é uma das maiores visitações do blog e que nunca pára de receber visitas. Este projeto foi fruto do trabalho de uma das minhas matérias na FAUUSP em parceria com minha amiga Flávia Santana e com a orientação do professor Marcos Acayaba. Tentei trazer aqui para o blog a possibilidade de discutir com todos o projeto que eu estava elaborando e foi bem bacana e importante o retorno que tive. Obrigado, gente! Para quem não conhece ainda, os links para as postagens sobre o projeto são esses:

Referências e primeiras inquietações



O projeto, maquete e desenhos



Retomando um pouco este projeto do SESC Butantã, pelo qual tenho imenso carinho e acho que seguirei construindo e pensando nele por alguns bons anos, somo também a discussão da última postagem sobre a riqueza dos barracões de escolas de samba como espaços públicos a serem apropriados pela arquitetura brasileira. Faz pouco tempo que entendi que mais do que um espaço de convivência, como eu vinha chamando até então, o galpão central do projeto do SESC Butantã se revelava como um grande barracão.

Não fosse apenas a apropriação dos elementos da arquitetura industrial, muito presentes ali no bairro por conta das inúmeras oficinas mecânicas e lojas de construção, o galpão central do projeto também se assemelhava com um grande barracão por possibilitar o acontecimento de muitas atividades em um mesmo lugar. O restaurante, as oficinas, a grande passarela e os dois edifícios estavam todos voltados para esta área, que conta ainda com o maior pé direito do conjunto exatamente para criar ali um espaço de criação. Fiz um desenho rápido e ilustrativo para mostrar um pouquinho como seria o convívio dessas diferentes atividades.




Imaginem só um espaço em que se possa acompanhar a construção de uma alegoria carnavalesca enquanto se pretendi ir até a biblioteca, ou que se possa vivenciar a experiência de criação de uma grande escultura dia-a-dia, ou ainda todas as possibilidades e potências que existem na troca entre espaço de criação e espaço de lazer. Acho que esse é o espírito do próprio barracão, onde se almoça, se samba, se cria e se trabalha muito.

Impossível não pensar no CCBB do Rio que, nessa época de pré-carnaval, tem promovido eventos com marchinha e muita animação junto ao seu centro cultural. Lembro também da BIENAL do Vazio, em que assim que entrávamos no prédio de Niemeyer nos deparávamos com uma enorme alegoria carnavalesca. É preciso trazer essas importantes misturas para os espaços de cultura das nossas cidades e é urgente que a arquitetura brasileira se reencontre com aqueles espaços de convívio e troca que são criados diariamente aqui no nosso país.

Então, este é o barracão do SESC Butantã, que se abre para a pequena praça do conjunto e que talvez possa trazer de volta a alegria para o carnaval de rua de São Paulo. Oxalá!

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