quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Concurso Estudantil Ibero-Americano de Arquitetura Bioclimática

VII BIENAL JOSÉ MIGUEL AROZTEGUI: Concurso Estudantil Ibero-Americano de Arquitetura Bioclimática 2011

VILA CONTEMPORÂNEA António Alcântara Machado
Brás, São Paulo

Equipe
Conrado Vivacqua
Flávia Santana
Marina La Torraca
Zilah Marcelino





Nosso projeto ficou entre os 30 primeiros colocados no concurso. Para conhecer o projeto vencedor acesse:  http://www.revistaau.com.br/emrede/estudante/doisb/vertical-alpendre-15840.asp

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Carta-Sugestão sobre possível adesão das instituições brasileiras de arquitetura ao Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável.

Carta-Sugestão sobre possível adesão das instituições brasileiras de arquitetura ao Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável. (enviada no dia 26/10/2011)

Aos senhores representantes das instituições de arquitetura do Brasil, caros:

Gilson José Paranhos, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil IAB
Jeferson Salazar, presidente da Federação Nacional dos Arquitetos Urbanistas FNA
Jonathas Magalhães, presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas ABAP
José Antonio Lanchoti, presidente da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo ABEA
Ronaldo Rezende, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura AsBEA

     Antes de mais nada, gostaria de agradecê-los por receberem minha mensagem e por manterem tão importantes e democráticos canais de comunicação com este aqui, pelo qual, como sabemos, nos é proposto o debate e a construção conjunta de caminhos para a nossa arquitetura brasileira. Muito obrigado!
    
     Sou estudante de arquitetura e com enorme preocupação tenho acompanhado os desdobramentos não menos perigosos da alteração do Código Florestal Brasileiro pelo Congresso Nacional. Nestes últimos meses, pudemos observar o enorme debate em torno de tais alterações e uma vigorosa polarização entre alas ruralista e ambientalista (com uma expressiva desvantagem para estes últimos) que culminou na aprovação de um Novo Código Florestal pela Câmara dos Deputados. Agora, o Novo Código está tramitando no Senado brasileiro e poderá ser modificado pelos nossos senadores a fim de garantir que o desvantajoso texto aprovado pela Câmara estabeleça uma melhor relação entre a manutenção e defesa de nossas florestas, o desenvolvimento sustentável de nosso país e a produção agropecuária brasileira.
    
     Nesse sentido, diversas instituições de enorme representatividade e das mais variadas atividades, como OAB, ABI, CNBB, entre tantas outras, estão se reunindo para cobrar de nossos senadores alterações que garantam um Novo Código Florestal mais justo como almejamos. Assim, foi criado o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, “coalizão formada por 163 organizações da sociedade civil brasileira contrárias ao PLC 30/2011 aprovado pela Câmara dos Deputados”*. Junto com elas outras instituições estão abraçando este movimento e participando desta causa através do apoio ao seu principal manifesto disponível no site do Comitê: http://www.florestafazadiferenca.org.br/manifesto/

     Não encontrei, entre as diversas instituições que fazem parte desta coalizão, nenhuma de nossas principais organizações representantes da arquitetura brasileira. Será que alguma está envolvida com o Comitê? Como estamos em tempo de fortalecer este movimento e ampliar a gama de personagens envolvidos para pressionar o Senado a fazer alterações condizentes com o que queremos para um Novo Código Florestal, gostaria de convidá-los, representantes de nossas instituições, a conhecer o trabalho e pensar sobre uma possível participação ou apoio ao Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável. Como estudante de arquitetura sem nenhum vínculo direto com o Comitê ou sua organização, admirador de tais iniciativas coletivas da sociedade civil em prol de um uma país mais harmônico e justo, gostaria de ver na participação de nossas instituições de arquitetura à este movimento a representação de todos aqueles arquitetos, paisagistas e urbanistas que tanto nos inspiram e admiramos e que por tantos anos trabalharam pela proteção das nossas florestas e pela equalização de uma sociedade mais sustentável e igualitária.
    
 Gostaria de agradecer mais uma vez pela atenção e também pela leitura da minha mensagem. Obrigado por receberem esta minha sugestão e espero, sinceramente, que possam analisar com carinho a proposta de adesão e fortalecimento ao grupo de instituições que apóiam o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável (http://www.florestafazadiferenca.org.br/home/).

 
Um abraço cordial,
Conrado Vivacqua
Estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
FLORESTA FAZ A DIFERENÇA!

p.s. Por acreditar na construção de uma discussão coletiva deste assunto, publicarei esta carta-sugestão em meu blog: http://transbordarquitetura.blogspot.com/

 
*este fragmento foi retirado do site: http://www.florestafazadiferenca.org.br/quem-somos/

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Seminários sobre a Implantação das Praças de Esporte e Cultura do MinC

     Até o final deste ano, o MinC estará realizando uma série de seminários em várias capitais do país para discutir a mobilização social das comunidades que receberão o programa de Praças de Esporte e Cultura - PECs.

     Os eventos das regiões Sul e Sudeste já aconteceram, mas ainda ocorrerão nos dias 17 e 18 de Outubro em Salvador ; 20 e 21 de Outubro em Recife; 24 e 25 de Outubro em Fortaleza; 27 e 28 de Outubro em Belém; e em 8 e 9 de novembro em Brasília. Gestores públicos e representantes dos municípios interessados, se inscrevam!

     O endereço eletrônico para as inscrições é gestaopracas@cultura.gov.br
    

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ZANINE CALDAS - Arquitetura de Morar

     Daqui a aproximadamente três meses, no próximo dia 20 de Dezembro, se completarão 10 anos da morte do grande arquiteto José Zanine Caldas (1919-2001). Para começarmos a pensar nessa data em que perdemos o extraordinário mestre da madeira, humanista e principal personagem da arquitetura brasileira no que diz respeito ao pensamento sustentável e à defesa ambiental, nada mais significativo do que compartilharmos aqui no blog, no primeiro dia da primavera, o curta-metragem Arquitetura de Morar (1975) sobre sua obra. É um das raras oportunidades de nos encontrarmos com a delicadeza do seu trabalho em um registro cinematográfico tão precioso como o de Antônio Carlos Fontoura. Vale à pena conferir!



Para conhecer outras obras de Antônio Carlos Fontoura sobre personalidades como Gal Costa e Heitor dos Prazeres, recomendo: http://vimeo.com/cantoclaro

terça-feira, 20 de setembro de 2011

NELSON LEIRNER – Intervenção na FAU e Retrospectiva no SESI

Imagem da intervenção de Nelson Leirner na FAU, 1970.
    
     Em obscuros anos de 1970, Nelson Leirner ocupou o mais monumental e democrático espaço da FAUUSP, o Salão Caramelo, com uma incisiva instalação de imensos plásticos pretos e estruturas tubulares metálicas. Numa comunicação direta com a arquitetura e com aquela instituição que no momento parecia ser a melhor interlocutora do seu trabalho e pensamento político, Leirner propôs um “impedimento simbólico” que podia ser visto por todo o edifício e que se pretendia participativo e propositivo. Significativamente, no dia seguinte à montagem da instalação, todo o trabalho foi encontrado destruído, segundo o site do artista, por ação de alunos, professores e funcionários da FAU.

     Esta obra, entre tantas outras geniais e provocativas ações, pode ser conhecida na retrospectiva Nelson Leirner 2011 – 1961 = 50 anos, em exposição na generosa galeria de arte do SESI, na Avenida Paulista, em São Paulo. Se todo o trabalho de Leirner vale uma profunda reflexão sobre a cômica ambivalência das coisas no mundo, principalmente nossas ações e valores, no que diz respeito especialmente à arquitetura sua intervenção na FAU traz grande contribuição. Leirner e sua ocupação de sacos pretos reativaram o caráter de praça pública do Salão Caramelo, palco de discussões e debate de idéias, fato que não é menos significativo em um Estado de exceção como o daqueles tempos. Se o trabalho de Leirner foi capaz de evocar o valor do discurso da arquitetura presente no edifício da FAU, inserindo-se nela para fazê-la reencontrar-se com sua intenção de projeto, e até gerando reações furiosas, não se pode negar a notória importância da comunicação entre arquitetura e as outras artes, como acontece neste caso.


Imagem do trabalho destruído.

     No catálogo sobre este trabalho de Leirner na FAU, de mais de quarenta anos trás e presente nesta exposição, Paulo Mendes da Rocha salienta a importância de se reconhecer a potência que existe na profícua troca entre os diversos campos das artes e a arquitetura. Fica aqui a vontade de ver a FAU como um espaço não apenas lembrado por sua arquitetura genial, mas também como palco para intervenções e ações como esta que estamos rememorando aqui no blog. Fecundar é uma palavra muito usada por Agnaldo Farias, professor da FAU e curador da exposição Nelson Leirner 2011 – 1961 = 50 anos, para se referir ao trabalho de Leirner, mas poderia também ser aquela palavra que mais se aproxima da vocação da arquitetura: um receptáculo para as ações e humores da vida.

     Quem sabe não possamos fazer da FAU um espaço de discussão oficial para os diálogos entre arte e arquitetura, propondo uma curadoria e a inserção dela no circuito de cultura da cidade e do campus? Seria lindo ver como artistas contemporâneos conversam com o edifício de Vilanova Artigas, como Lucia Koch, Ernesto Neto e tantos outros que já fazem um trabalho relacional com a arquitetura. Quem sabe esta não seja, como vimos com a obra de Leirner, uma vocação do edifício da FAU? Quem sabe?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

NOVA GALERIA LEME de PAULO MENDES DA ROCHA (?)

     Em julho, noticiamos aqui no transbordarquitetura! a demolição da galeria Leme, projeto recente de Paulo Mendes da Rocha com o escritório Metro, em São Paulo. O objetivo da demolição seria dar lugar a mais um grande projeto imobiliário na marginal do rio Pinheiros e, como especulado na época, a compensação apresentada pela Odebrecht (empresa construtora responsável pelo novo edifício que ocupará o lugar da galeria) seria reconstruir o projeto da edificação demolida em um terreno próximo ao original. Dito e feito. Já estão avançadas as obras da Nova Galeria Leme e em breve, quando estiver concluída a nova edificação, o antigo projeto será destruído.



Imagens da nova obra retiradas há pouco mais de uma semana atrás. Mais ao alto, o novo anexo, e logo acima, os fundos do novo edifício principal da galeria. Pode-se notar as aberturas que serão conectadas pela nossa passarela.

     Se há alguns meses nós já discutíamos aqui os desdobramentos de se copiar um projeto em outro terreno e em outra situação com a cidade, como é o caso da Nova Galeria Leme, agora, com a obra em andamento e o novo edifício levantado, fica mais evidente o impacto das diferenças dos dois projetos. Embora tenha sido feito um esforço grande para associar a demolição da Galeria Leme com a construção de um uma cópia sua no mesmo bairro, reduzindo assim as possíveis polêmicas sobre a destruição de um projeto daquele que é reconhecido como um dos maiores arquitetos brasileiros e prêmio Pritzker, Paulo Mendes da Rocha, o que vemos ali é um projeto novo. 

     É claro que há algo da antiga galeria que foi respeitado, pois não se abandonou seu feitio original, porém, por conta da nova implantação de esquina, do novo edifício anexo e de algumas significativas pequenas alterações, não há como negar que não se trata de uma simples cópia ou reconstrução do desenho que havia sido feito pra Galeria que logo logo será destruída. Se antes tínhamos uma tímida edificação que, por entre sisudas e altas paredes de concreto, abria pequenos recortes para a cidade, agora temos duas grandes massas edificadas, relacionadas com grande perspectiva para a cidade e que apresentam como grande ícone a nova ponte projetada para ligar a galeria e o seu anexo. Ou seja, um projeto diferente do original que, além de tudo, tem sua orientação solar modificada.




Imagens do novo projeto para a Galeria Leme.

     Assim, conhecido o novo projeto e sabendo-se das diferenças notórias que apresenta com o desenho original, fica a dúvida do porque se propagar a estranhíssima idéia de que haveria replicação do projeto que será demolido. Se alguém acreditava mesmo que esta seria uma forma positiva de se compensar a perda que a cidade terá em destruir um trabalho de um dos maiores arquitetos brasileiros para dar lugar a banais torres de escritórios, o que vemos é uma total transformação do que parecia ter sido proposto. Se era para fazer um novo projeto, por que não partir realmente para uma edificação nova projetada desde o seu início, respeitando-se o novo terreno e a nova implantação? O próprio Paulo Mendes deveria ser convidado para isso, e o escritório Metro junto com ele, para aí sim começarmos a pensar em uma compensação real para a cidade com a demolição da Galeria Leme original.

     Estamos abrindo espaço mais uma vez para uma promiscuidade sem fim de interesses que desrespeitam as nossas cidades e que passam por cima da nossa cultura e arquitetura brasileiras. A demolição da Galeria Leme é um caso esquizóide de tentativa de compensação através da cópia, que acabou não se revelando tão idêntica assim, e que em nada contribui verdadeiramente para pensarmos na cidade em transformação. Paulo Mendes comentou para o Diário de São Paulo a respeito do caso que “a modernidade está fazendo com que imóveis virem móveis”, porém, mais que isso, me parece que neste caso há um total desrespeito com o trabalho de um dos nossos mais geniais arquitetos e uma visão estranhíssima sobre a memória na arquitetura e sua permanência na cidade. Mais uma vez uma brutal incongruência entre aqueles que pensam e respeitam a cidade, com os interesses obscuros de um capital de transformação da cidade que tem muito pouco a nos acrescentar em termos de beleza e qualidade de vida.

Para conhecer nossa primeira postagem sobre a demolição da Galeria Leme, acesse:

Imagem da edificação que será demolida.


RENZO PIANO transborda!

    
     Ontem encontrei um pequeno fragmento de um texto do Renzo Piano que tem tudo a ver com o espírito que tentamos dar a este blog e, como não poderia deixar de ser, venho aqui para compartilhar ele com vocês! Renzo consegue em poucas e objetivas palavras sobre sua experiência profissional traduzir um pouco do que tentamos construir aqui, um caminho em que a arquitetura testa seus limites e em certa medida se confunde com aqueles outros campos de conhecimento que a subsidiam ou com os quais está em permanente contato e troca. Nessas intersecções, para usar um termo geométrico tão caro à arquitetura, estou cada vez mais convicto que se revelam a riqueza e a potência de uma arquitetura plural e humanista. As palavras de Renzo, que cito aqui abaixo, são bastante excitantes e animadoras para quem acredita nisso:

“Pertenço a uma geração de pessoas que manteve uma abordagem experimental durante toda a vida, explorando campos diversos, profanando limites entre disciplinas, misturando papéis, assumindo riscos e cometendo erros. E isso em vários terrenos. Do teatro à pintura, do cinema à literatura e à música.”

Emocionante, não? Sem dúvida, a arquitetura de Renzo Piano transborda. Profanar limites entre disciplinas...  transbordarquitetura!